Força de vontade pode ser a chave para uma aprovação de sucesso

Sem dúvidas, uma das fases mais marcantes na vida de um estudante é o ano em que ele presta um vestibular. A inexistência dos finais de semana somada ao esforço e dedicação redobrados são alguns requisitos que aparecem neste período e que os amedrontam em vários aspectos. Com o objetivo de dar uma oportunidade para milhares de jovens e adultos, residentes em Curitiba ou Região Metropolitana, o Cursinho Solidário oferece vagas tanto para aqueles que estudaram em escolas da rede pública de ensino, os que usufruíram de bolsas integrais em escolas particulares, como também para aqueles que não possuem condições financeiras suficientes para bancar um cursinho particular.

Entre tantas outras histórias surpreendentes, o processo seletivo, entretanto, não foi um empecilho na vida de Augusto Cesar Monteiro Silva, 20 anos, estudante do Cursinho Solidário aprovado no curso de Ciência da Computação na universidade mais concorrida do país, a Universidade de São Paulo (USP).

A trajetória de Augusto até a aprovação no vestibular foi de muita batalha e também, de responsabilidade. Nascido em São Paulo, Augusto morou na capital até os sete anos e seus pais sempre fizeram de tudo para que o jovem pudesse estudar em escola particular durante o período. Aos oito, se mudou com a família para Belém, pois o custo de vida na metrópole estava ficando alto e os parentes de sua mãe moravam na capital do Pará. “Naquela época, meus pais acharam melhor nos mudarmos para Belém, a fim de tentar mudar nossa condição financeira”, admite.

Entretanto, como nem tudo na vida são flores, a família de Augusto estava insatisfeita com a vida que levava no norte do país. “Me lembro que, durante esse período, iniciamos a busca por alguma cidade que tivesse um custo de vida razoável, mas que disponibilizava de bons índices de educação e que era boa de se viver. Meu irmão tinha um amigo que morava aqui em Curitiba e veio pra cá para poder visitar e conhecer a cidade. No fim, ele acabou prestando vestibular em Publicidade e Propaganda aqui e, quando foi aprovado, eu e meus pais nos mudamos para cá”, lembra o jovem.

Desde pequeno, o estudante – que durante o ensino médio frequentou escolas públicas – demonstrou ser esforçado quando o assunto são os estudos. A dica que o aluno propõe quando o medo surgir é não se desesperar em frente aos problemas. “Sempre pensei que não é quantidade de exercícios que vai fazer passar no vestibular, é a qualidade com que você resolve cada um deles”.

Processo Seletivo
A luta para conquistar a tão sonhada vaga na universidade começou em 2013, quando o aluno resolveu trabalhar por conta própria em uma lanchonete da cidade. “Sabendo das condições precárias dos meus pais e da falta da renda para pagar um cursinho de vestibular pra mim, comecei a trabalhar oito horas por dia para juntar dinheiro”. Ciente e mais maduro da situação, Augusto descobriu a oportunidade do Cursinho Solidário em uma reportagem vista na televisão. “Fiquei sabendo do Cursinho Solidário no último dia das inscrições. Com o dinheiro que tinha arrecadado até então, pude pagar o cursinho completo. Me inscrevi, fiz a prova e passei. Pedi demissão na lanchonete para poder me dedicar inteiramente aos estudos”.

Durante o ano de vestibular, Augusto completava o terceiro ano no Colégio Estadual Pedro Macedo pela manhã e frequentava as aulas do Cursinho Solidário à noite. “A rotina era basicamente estudos. Pelo Cursinho Solidário, tínhamos aulas aos sábados pela manhã e, na parte da tarde, eu estudava todos os conteúdos da semana, como forma de revisar as matérias. Meu dia de descanso era no domingo”.

De acordo com o coordenador do Cursinho Solidário, Elias Bonfim, a dedicação de Augusto durante todo o ano impressionou. “Não tenho dúvidas de que ele seja merecedor de toda a trajetória que ele está trilhando. Na época do vestibular, ele era um menino completamente focado e continuou estudando mesmo quando outros já estavam de férias, por conta do desejo e da aspiração de estudar na USP”, comenta.

Segundo Augusto, o esforço e o tempo de estudo de cada um são fatores determinantes na hora da aprovação. “Temos que parar de pensar que tudo é sempre muito difícil, que não vamos passar. A partir do momento que começamos pensar que o vestibular não é difícil, ele começa a ficar fácil”, alerta Augusto.

Nova Fase
Inteligência e força de vontade são palavras-chave para Augusto que, atualmente, ingressa o quarto período de Ciência da Computação na USP. A escolha pela melhor universidade do país se deu além do fato da instituição ser renomada. “Internacionalmente, o curso de Ciência da Computação da USP é mais valorizado. Além disso, a universidade oferece algumas facilitações para os alunos que vêm de outros estados, como moradia e alimentação”.

Ainda assim, o jovem complementa que o curso o qual estuda atualmente é melhor do que havia imaginado. “No início eu achava que o curso era uma coisa e, quando eu entrei, era totalmente outra. Só que eu comecei a gostar muito mais dessa outra coisa, que é a questão dos estudos das teorias e análises do que a prática de criar os programas”, diverte-se.

O exemplo da força de vontade e da prática dos estudos não cessou durante o ano da aprovação. Agora, Augusto espera a divulgação do resultado de uma bolsa integral de estudos em Londres, oferecida pela universidade. “O Instituto de Matemática e Estatística da USP, que é o nome da escola do meu curso, oferece cinco vagas para a “Bolsa Mérito Acadêmico”. Estou torcendo muito para dar certo e poder aproveitar essa oportunidade de fazer um intercâmbio de seis meses e continuar o curso lá durante o período”.

São casos como o de Augusto que motivam Elias a continuar com o programa “Cursinho Solidário” na ONG. O coordenador afirma que por mais que seja difícil e trabalhoso oferecer um curso preparatório gratuito para os estudantes, ao final, os resultados valem a pena. “Batalhamos o ano todo para manter uma qualidade e um índice alto de aprovação dos nossos alunos. Desde 2002, contamos com mais de 750 estudantes no Ensino Superior, vários formados e até alguns com Mestrado na área de preferência. É um trabalho muito gratificante”, finaliza.

Serviço

Cursinho Solidário
Secretaria
Endereço: Avenida Presidente Afonso Camargo, 330, Bloco Ferroviário, Fundos – Jardim Botânico – Curitiba – Fone 41 3234-2363
Extensivo Curso Positivo – Avenida Sete de Setembro, 4.228, Batel, Curitiba
Extensivo UTFPR – Av. Sete de Setembro, 3165 – Rebouças, Curitiba

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