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Reflexões acerca do nacionalismo a partir do atual caso do Sri Lanka!

Publicado por: Fabio Sahd

O nacionalismo pode ser entendido enquanto reivindicação de uma unidade nacional e criação de um Estado da parte de um grupo que se identifica por aspectos culturais, religiosos, sociais, étnicos e/ou políticos.

Apesar dos homens manterem laços de identidades desde tempos imemoriaveis, é somente a partir do século XVIII, com a Revolução Francesa,   que podemos observar o surgimento de movimentos nacionalistas. No século XIX, observamos vários destes movimentos que reivindicam unidade nacional e política: a Bélgica católica, diante da Holanda protestante, a Grécia, diante do Império Turco Otomano, os movimentos nacionalistas na Itália e atual Alemanhã em prol da unificação, entre outros.

Entretanto, mesmo hoje em dia podemos observar a existencia de diversos movimentos nacionalistas: O ETA (Pátria Basca Livre), é um movimento que defende a unidade cultural do povo basco e reivindica a criação de um Estado-nacional separado da Espanha, o grupo é acusado de se valer de técnicas terroristas para alcançar seus fins. O IRA (Exército Republicano Irlandes), é um movimento formado principalmente por católicos, que luta para separar a Irlanda da Inglaterra. Outros movimentos nacionalistas presentes nos dias de hoje se localizam na Georgina, Chechenia, nos Balcãs e no Sri Lanka.

O caso do Sri Lanka remonta a independencia da India perante a Inglaterra em 1948. Após conflitos internos a ex-colonia inglesa da India foi dividida em tres países: O Paquistão (para muçulmanos), a India (para os hinduistas) e o Sri-Lanka (para budistas). Apesar dos anos imediatamente posteriores à independência terem sido de relativa paz, logo começaram as tensões entre a maioria cingalesa – majoritariamente budista– e a comunidade tâmil, que é formada por hinduístas e católicos romanos. As diferenças entre as duas comunidades  não se restringem a religiao, cada qual fala sua própria língua -cingalês e tâmil- e ambas afirmam que seus ancestrais são os habitantes originais da ilha. Logo após a independência, a comunidade tâmil começou denunciar uma suposta discriminação por parte da maioria cingalesa, que dificultava o acesso dos tâmeis a empregos públicos e vagas na universidade. À época, o governo argumentava estar corrigindo os desequilíbrios do período colonial, quando os cingaleses acusavam os britânicos de dar tratamento preferencial aos tâmeis. Esta discriminação por parte do governo foi citada pelo líder dos Tigres Tâmeis, Prabhakaran, como o principal motivo que o levou a criar, em 1972, a milícia Novos Tigres Tâmeis, que quatro anos depois foi rebatizada como Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE, na sigla em inglês). Desde então, a luta pela criação de um Estado tâmil foi usada como justificativa para inúmeros ataques suicidas e outros atentados empreendidos pelos Tigres Tâmeis contra alvos civis e militares. O primeiro ataque registrado feito pelos Tigres Tâmeis aconteceu em 1983, quando, 13 soldados cingaleses foram mortos por militantes tâmeis em Jaffna, que é considerada um centro espiritual e histórico dos tâmeis”. Folhaonline, 04/05/2009.

Há um impasse na discussão se o sentimento nacional é organico ou desenvolvido pela burguesia a partir da revolução industrial para envolver as outras classes sociais em seu projeto político.

 

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