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Publicado por: Fabio Sahd
da Folha de S. Paulo
Destituído pelo presidente Manuel Zelaya e reintegrado por ordem da Justiça, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas de Honduras, general Romeo Vásquez, continuava dando ordens a seus soldados. Chegou a ser tacitamente reinstalado no cargo pelo próprio Zelaya e repetia que não haveria golpe: “Os tempos mudaram”, disse, na sexta.
Mas o que se seguiu, na madrugada deste domingo, repetiu um roteiro comum na América Latina, especialmente na Guerra Fria. (O diferente desta vez foi a condenação internacional –dos Estados Unidos à Venezuela–, o que faz do novo governo, em um limbo diplomático, um teste para as aventuras golpistas deste século.)
As Forças Armadas hondurenhas prenderam e deportaram o presidente. Tanques ocuparam alguns pontos estratégicos da cidade. Seguindo a praxe dos golpes, canais de notícias e rádios saíram do ar ou passaram programas amenos.
Os militares, com apoio do Congresso e da Justiça, também prenderam integrantes do antigo governo –a acusação feita pelos apoiadores de Zelaya foi corroborada pela OEA (Organização dos Estados Americanos). Estariam presos a ministra das Relações Exteriores, Patricia Rodas, o prefeito de San Pedro Sula (centro industrial), Rodolfo Padilla, entre outros.
O objetivo declarado do golpe é barrar a consulta proposta pelo presidente, tampouco prevista legalmente, que abriria caminho para uma nova Carta permitindo a reeleição.
O discurso mais repisado do novo governo, porém, é a necessidade de barrar o “socialismo”, desta vez a ameaça estatista da aliança com Caracas.
Foi em Caracas que ocorreu a última tentativa de golpe no hemisfério, em 2002. O último golpe bem-sucedido foi o de oficiais militares, apoiados por movimentos indígenas, contra o governo de Jamil Mahuad, no Equador, em 2000.
Um conselho é pedirem ao professor de História e/ou Geografia que façam um comentário comparando o golpe de Honduras com os golpes direitistas da guerra fria.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/
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